Por Laércio Guidio – Página Mineira

Não são somente os traços significativos que assemelham o artista são-lourenciano Antônio Carlos da Silva, 33 anos, do holandês Vincent Willem van Gogh. O exímio trabalho rico em detalhes e um inicial anonimato tão expressivo quanto, mesmo detendo tamanho talento.

O retrato mais fiel da realidade do holandês, que nasceu em 30 de março de 1853, estava em sua própria história. Se hoje suas pinturas são conhecidas e comercializadas por valores que nunca sonhou em possuir, pois um dos artistas mais influentes dos últimos tempos teve seu reconhecimento depois de sua morte. Vivo, Van Gogh vendeu apenas um quadro – “O Vinhedo vermelho”, morreu sem saber que um dia seria famoso.

Em São Lourenço, Antônio Carlos tem algumas demonstrações de seus trabalhos em seu perfil nas redes sociais, nunca participou de nenhuma exposição e se autodefine como sendo um artista desconhecido. “Honestamente eu nunca procurei expor meu trabalho, pode parecer estranho. Preocupo-me mais em criar do que mostrar”, expressou.

Em Paris, Van Gogh foi apresentado ao movimento que esteve muito presente em sua trajetória, o Impressionismo. Na França conviveu com Edgar Degas, Georges Seurat, Henri de Toulouse-Lautrec, Paul Signac, Émile Bernard e Paul Gauguin, recebendo grande influência desses artistas. Já o são-lourenciano tem sua referência no próprio holandês.

“Não ‘apenas’ por suas pinturas, mas também por todo o seu pensamento, toda aquela filosofia através de suas cartas, aquilo é uma escola para qualquer artista. A maneira como ele conseguia através de seu trabalho expressar todas as suas emoções nos têm muito a dizer”, mencionou Antônio Carlos.

“Às vezes me vejo como um soldado em um campo de batalha, que mesmo cheio de munição, bem armado e até protegido por uma barricada, sabe que talvez perderá a vida, mas mesmo assim continua esperançoso, pois acredita que todo sacrifício valerá a pena”, acrescentou o mineiro que se interessou pela arte através do desenho ainda na infância.
O talento foi descoberto após fazer uma gravura para despertar o interesse de uma menina e o que acordou foi um artista escondido para o mundo da materialização dos sonhos.

“O processo técnico é bem simples, una a sua imaginação com o seu conhecimento e pronto. É claro, jamais tenha medo do fracasso, ou seja, não tenha medo de ousar”, explicou. “Qualquer coisa pode se tornar tema para um quadro, mais muito pouca coisa se torna uma obra de arte”, prosseguiu.

Se Van Gogh passou parte de sua vida no sul da França, na cidade de Arles, local que serviu de inspiração para algumas de suas obras, dentre elas a famosa “Vista de Arles com Lírios”, Antônio Carlos se inspira no sul das Gerais e na cidade mais francesa de Minas. “Viver aqui inspira qualquer um. Imagine só você acordar cedo, abrir a janela e se deparar com aquele céu azul numa manhã de julho. Para mim isso é maravilhoso, eu poderia pintar uma imagem dessas acho que por toda a vida”.

Por fim, outra parte em comum entre os artistas está no início. Ambos começaram pelo desenho e desde criança. Embora as pinturas de Van Gogh sejam consagradas, ele principiou a pintar relativamente tarde, porém, totaliza mais de 800 telas. O fato é que Minas Gerais não precisa perder para somente depois reconhecer o talento do seu próprio artista, que hoje mora no bairro Nhá Chica, em Carmo de Minas, tão semelhante ao falecido renomado, e tão singular.

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